Sobre Nilton Utembergue Junior
Sou Nilton Utembergue Junior, especialista em Business Intelligence, com atuação em Engenharia de Dados e Inteligência Artificial.
Há 25 anos trabalho com tecnologia, transformando problemas de negócio em soluções baseadas em dados. Ao longo dessa trajetória, atuei com desenvolvimento de sistemas, banco de dados, administração de SQL Server, Engenharia de Dados e projetos de Business Intelligence em ambientes corporativos.
Mais do que construir relatórios ou dashboards, meu trabalho sempre esteve ligado a entender problemas, conversar com as áreas envolvidas, estruturar processos e desenvolver soluções que realmente apoiem o negócio.
Minha visão sobre Business Intelligence
Business Intelligence não é apenas Power BI, Tableau, SQL Server ou qualquer outra ferramenta. Business Intelligence é processo, negócio, arquitetura, dados, pessoas e tomada de decisão.
As ferramentas são importantes, mas representam apenas uma parte da solução. Antes de construir um dashboard, é necessário entender o problema, levantar requisitos, conhecer as regras do negócio, estruturar os dados e pensar em uma solução que seja sustentável e escalável.
Essa é a visão que orienta meu trabalho e tudo o que ensino!
Meu objetivo é contribuir para a evolução do mercado de Business Intelligence no Brasil, formando profissionais que não saibam apenas operar ferramentas, mas que sejam capazes de compreender o negócio, investigar problemas e construir soluções completas.
Nilton Utembergue Junior
Criador do Canal NiltonBI e autor dos livros “Como Entrar na Área de Dados”
Uma trajetória construída com estudo e oportunidade
Minha história profissional não começou na tecnologia. Venho de uma família ligada à área comercial e ao setor têxtil e comecei a trabalhar ainda jovem como vendedor autônomo, comercializando roupas de fabricantes do Brás para lojas de bairro. Era um trabalho interessante, mas o risco financeiro era muito grande. Toda inadimplência ficava por nossa conta e, em alguns períodos, era possível trabalhar durante semanas sem receber absolutamente nada.
Na mesma época, participei do InfoJovem, um projeto de informática da Igreja Nossa Senhora dos Remédios. No início, meu interesse era simples: poder jogar Counter-Strike e Age of Empires com a galera do grupo de jovens. Com o tempo, porém, comecei a ajudar nas atividades do curso. Primeiro, aprendi a fazer manutenção nos computadores, montar máquinas, instalar programas, configurar redes e resolver problemas técnicos. Depois, passei a atuar como apoio em sala e, pouco tempo mais tarde, já ministrava, de forma voluntária, aulas de informática básica e Pacote Office.
A igreja me emprestou um computador, que eu utilizava dentro do próprio espaço do projeto. Foi naquela máquina que desenvolvi meu primeiro software: um pequeno CRM criado em Microsoft Access para ajudar a automatizar as vendas de lojas. Assim, enquanto trabalhava como vendedor autônomo e instrutor voluntário de informática, também comecei a oferecer o sistema para alguns clientes. Foi dessa forma que a tecnologia deixou de ser apenas um interesse e começou a se transformar em profissão.
No início dos anos 2000, quando eu tinha 18 ou 19 anos, visitei uma das empresas para as quais eu vendia, percebi que os funcionários não conseguiam imprimir um romaneio por causa de um problema na rede. Duas empresas já haviam tentado resolver a situação, mas não tiveram sucesso. Eu disse que sabia consertar e, depois de algumas horas, a rede estava funcionando novamente. Foi então que Ricardo, gerente da empresa, me fez uma pergunta que mudou a minha vida: “Você consegue resolver isso e está fazendo o quê trabalhando com vendas?”
Ele me incentivou a estudar e me ajudou financeiramente para que eu pudesse deixar a vida de vendedor autônomo, reorganizar minha vida e buscar uma nova carreira. A partir daquele momento, estudar deixou de ser apenas uma possibilidade e se tornou um compromisso que carrego até hoje.
Depois disso, deixei o trabalho autônomo e passei a trabalhar em lojas de sapatos como vendedor, não ganhava bem, mas era um salário fixo, com um pouco mais de estabilidade as coisas começaram a caminhar melhor.
Ainda não tinha computador nem dinheiro para fazer cursos. Concluí meus estudos por meio do supletivo e comecei a aprender programação utilizando livros usados, comprados em sebos no centro de São Paulo. Meu primeiro livro foi sobre Visual Basic 5, embora eu já estivesse tentando desenvolver em Visual Basic 6.
Da área comercial para o desenvolvimento
Com o passar dos anos, fui evoluindo na área comercial. Deixei a venda de sapatos, passei a trabalhar em uma loja de informática, e depois, comecei a comercializar serviços de tecnologia e equipamentos mais específicos, como impressoras utilizadas na emissão de cartões e bilhetes de transporte público.
No início dos anos 2000, comecei a usar meus conhecimentos de informática para complementar a renda. Paralelamente ao trabalho principal, prestava serviços de manutenção de computadores para lojistas e pequenos comerciantes e atuava como freelancer no desenvolvimento de sites, pequenos sistemas em Microsoft Access e Visual Basic 6, além da criação de relatórios em Crystal Reports.
Em 2006, participei de uma entrevista para uma vaga de vendedor em uma empresa de tecnologia. Durante a conversa, a proprietária percebeu que meu currículo reunia cursos de programação, banco de dados e desenvolvimento. Ela me perguntou sobre os cursos e comentei sobre minha intenção de migrar de área e também sobre o sistema que eu havia criado.
Ao final da entrevista, ela me disse: “Você está contratado, mas não será para trabalhar como vendedor. Você vai trabalhar com desenvolvimento.”
Foi minha primeira oportunidade profissional na área de tecnologia. Comecei atuando com Visual Basic 6, depois com VB.NET, e também iniciei minha primeira faculdade. A partir daquele momento, nunca mais deixei a área de tecnologia.
Banco de dados, DBA e Business Intelligence
Por volta de 2010, comecei a me interessar cada vez mais por banco de dados. Passei a estudar SQL Server, modelagem, administração de bancos e performance. Em 2012, consegui realizar minha transição para a área de banco de dados, atuando como analista. Posteriormente, trabalhei como DBA SQL Server em diferentes projetos, incluindo uma atuação na antiga Bovespa, atual B3.
Durante essa fase, tive contato mais próximo com equipes de Business Intelligence. Foi quando percebi que BI reunia duas partes fundamentais da minha trajetória: tecnologia e negócio. A experiência comercial havia me ensinado a conversar com clientes, entender necessidades e buscar soluções. O conhecimento técnico permitia transformar essas necessidades em dados, processos e sistemas.
Em 2017, fiz minha transição definitiva para Business Intelligence, participando de um projeto na Roche Indústrias Farmacêuticas. Foi um projeto extremamente organizado, com requisitos, documentação e arquitetura bem estruturados. Minha responsabilidade foi construir parte importante da arquitetura de banco de dados da solução.
Depois dessa experiência, tive certeza de que Business Intelligence era a área em que desejava construir minha carreira. E na sequência, entrei para a Spread, onde continuo atuando como especialista em Business Intelligence, com participação também em projetos de banco de dados, Engenharia de Dados e Inteligência Artificial.
Resolver problemas faz parte de quem eu sou
A característica que mais define minha atuação profissional é a responsabilidade por resolver problemas. Quando uma demanda chega até mim, o problema deixa de ser apenas da área solicitante e passa a ser meu também. Se for necessário conversar com uma, cinco ou dez pessoas para entender a situação, eu converso. Se o requisito não estiver claro, busco esclarecimento. Se diferentes áreas precisarem trabalhar juntas, procuro engajar as pessoas em torno de um propósito.
Não acredito que o profissional de dados deva apenas receber uma solicitação e executar uma tarefa. É necessário investigar, fazer perguntas, compreender a dor e acompanhar a solução até o final.
O que mais me motiva é resolver problemas complexos e buscar soluções além do óbvio. Gosto de investigar cenários difíceis, conversar com diferentes áreas e compreender profundamente o negócio antes de definir um caminho. Quanto maior o desafio, mais interessante se torna explorar novas possibilidades e construir uma solução que fortaleça a infraestrutura de dados e transforme informações em decisões mais seguras para a empresa.
Conhecimento construído na prática
Durante o período em que atuei como analista de dados, um dos meus principais diferenciais era o trabalho com performance e tuning de bancos de dados. Eu era contratado para analisar ambientes SQL Server, identificar problemas e orientar equipes sobre boas práticas. Meu papel não era apenas ensinar comandos ou funcionalidades, mas explicar por que determinados problemas aconteciam, como poderiam ser evitados e quais decisões tornariam o ambiente mais seguro, eficiente e sustentável.
Com o tempo, percebi que grande parte dos conteúdos disponíveis sobre Business Intelligence estava concentrada nas ferramentas, principalmente no Power BI. Havia muito material ensinando a criar gráficos, fórmulas e dashboards, mas pouco conteúdo sobre processos, Data Warehouse, arquitetura, modelagem, ETL, Inmon, Kimball, levantamento de requisitos e entendimento do negócio.
Foi nesse contexto que, em 2022, decidi criar o Canal Nilton BI: um espaço em que a ferramenta não fosse o ponto de partida, mas parte de uma solução maior. Um lugar para ensinar como compreender problemas, organizar dados, estruturar processos e construir soluções escaláveis com o apoio da tecnologia.
Não me considero apenas um professor. Sou um profissional de mercado que compartilha conhecimentos adquiridos em projetos, problemas, erros, decisões e experiências reais. Minha forma de ensinar é diretamente influenciada pela realidade das empresas e pela experiência de entrevistar, contratar e trabalhar com profissionais da área.
Hoje, muitas pessoas conhecem o Power BI, mas ainda encontram dificuldades para compreender o negócio, estruturar dados, desenvolver processos de ETL, trabalhar com SQL e construir soluções escaláveis. Ao mesmo tempo, cresce a dependência da inteligência artificial sem o desenvolvimento da base técnica necessária para avaliar aquilo que está sendo produzido.
A inteligência artificial pode acelerar o trabalho, ampliar possibilidades e apoiar a tomada de decisão, mas não substitui conhecimento, curiosidade, raciocínio lógico e responsabilidade profissional. Por isso, quero contribuir para um movimento diferente: despertar nas pessoas a vontade de estudar, investigar, questionar e compreender profundamente aquilo que estão fazendo.
O profissional não deve apenas pedir que uma ferramenta produza algo e considerar o trabalho concluído. Ele precisa entender o problema, avaliar a solução, questionar o resultado e desenvolver confiança no próprio conhecimento. A inteligência artificial deve ampliar a capacidade humana, e não substituir o pensamento.
Minha expectativa não é apenas oferecer cursos. Quero ajudar a formar o profissional que eu próprio gostaria de encontrar e contratar no mercado: alguém que compreenda o negócio, domine os fundamentos técnicos, saiba se comunicar, investigue problemas e consiga trabalhar com autonomia.